Histórias de tatuagens!

O Sempre tive a mania que era rebelde. Devia ter uns 14/15 anos, quando um dia à tarde, depois da escola, resolvi ir até à ourivesaria da terra furar as orelhas. E não, não foi fazer aquele tradicional furo das meninas, um em cada lado, para um brinco pequenino e brilhante, como se usava à época. Esse já eu tinha! Foi fazer 5 furos em cada orelha, desde o lóbulo, até à cartilagem superior. Passados estes anos todos, parece que ao escrever este relato, ainda sinto a agulha a perfurar a cartilagem, ainda oiço a senhora da ourivesaria a perguntar-me: Sara, mas tens a certeza? Olha que dói muito… Nada me demoveu! 


Nesse mesmo dia, durante o jantar, o meu pai reparou que havia qualquer coisa diferente nas minhas orelhas. Parou de comer, observou mais de perto, e perguntou-me entre um sorriso: são de colar não são? Eu respondi apenas: não! E continuei a comer, calmamente. Parou tudo, e houve uma meticulosa inspecção, que permitiu perceber que era mesmo a sério. Sermão e missa cantada, e não me lembro o quê mais, mas acho que fiquei de castigo sem poder brincar na rua, ou algo do género. Assim se estão vocês a preocupar com isso? Assim me preocupei eu! Tinha feito os furos, queria lá saber de castigos!

Aos 26 anos, resolvi que tinha chegado a hora de deixar de ser mariquinhas, e finalmente ter a ousadia de fazer uma tatuagem! Meti isso na cabeça, e rapidamente pus em prática (acho que por receio de me arrepender!) andei uns dois dias a fazer pesquisas online, e decidi o género de tatuagem que queria fazer, telefonei para um estúdio que me tinham recomendado, marquei e fui! Depois da marcação feita já não tinha coragem para não ir, mas andei a morrer de medo! Falaram-me numa pomada que se utiliza para tratar úlceras na pele de pessoas com diabetes, e que tem efeito anestésico, e eu fui comprar, apliquei e embrulhei-me em película aderente. Tudo para tentar minimizar a dor lancinante que esperava sentir.

Chegada a hora, lá fui eu, com dois colegas de trabalho, fazer a minha primeira tatuagem. Sentia um misto de emoção e medo… Mandaram-me entrar, prepararam o material, mandaram-me ficar de pé e subir a camisola e começaram a passar o decalque para as costas. A única coisa de que me recordo em seguida, foi de estar deitada no chão e ouvir chamar o meu nome muitooooo ao longe. Quando finalmente abri os olhos, vi duas cabeças a olharem para mim, com uma cara de susto/preocupação e ao mesmo tempo de riso, que me perguntavam se estava bem! Tinha desmaiado! Não foi de dor, porque a tatuagem nem sequer tinha começado, foi de ansiedade. Estava tão nervosa, que mal me tocaram, desmaiei! Tive que esperar um bom bocado para me recuperar, e embora insistissem em que voltasse outro dia, mantive-me convicta! Dali não saía sem a minha tatuagem! E assim foi! Não ficou completa, é certo! Era suposto ter uma sombra, que só fiz uns dois meses depois porque naquele dia já não tive coragem. Mas ficou feita! Fui para casa, mal disposta e a sentir-me mal, e enfiei-me na cama! Não jantei, não me levantei mais, apenas dormi! No dia seguinte já me sentia melhor, e já me conseguia rir do que se tinha passado na véspera, mas nesta altura, estava convencida de que nunca voltaria a fazer nada semelhante. 

Uns anos mais tarde, fui de férias ao Egipto, e desenharam-me o meu nome Egípcio em Henna mas costas. Gostei mesmo muito do resultado, e resolvi que ia tatuar aquilo no pescoço! Pouco depois de voltar a Portugal, com uma foto da tatuagem de henna, voltei ao mesmo estúdio onde tinha feito a primeira tatuagem, e fiz a segunda! Sem cremes, sem preparação, sem nervos, sem desmaios. Correu muito bem, e mostrou-me que realmente fazer tatuagens não era nada de especial.

Também numas ferias, na Malásia, tive o previlegio de assistir ao nascimento de tartarugas. Vi-as quebrar a casca do ovo, sair lá de dentro, e começar a percorrer o espaço que as separava do mar para iniciarem a sua vida. Tive tartarugas acabadas de nascer nas mãos, deliciosas, mínimas…  fiquei ainda mais apaixonada por esta espécie, quando andei a mergulhar a 30 metros de profundidade com tartarugas adultas, lindas, enormes, que interagiam e a quem podíamos acariciar o focinho. Nessa viagem, decidi que ia tatuar uma tartaruga! Demorei até concretizar esta decisão, e entretanto ainda fiz o nome egípcio, mas não desisti da ideia. Em 2011, decidi passar finalmente este desejo à prática, e fiz uma tartaruga no pé. Curiosamente, foi feita no ano em que engravidei!

Quando os meus filhos nasceram, ou melhor, quando começaram a ter alguma mobilidade, se os deitasse de barriga para baixo, esticavam o pescoço e ficavam em posição de tartaruga. Começámos a chamar-lhes tartaruguinhas, e esse nome carinhoso manteve-se no seio da família e amigos próximos. Assim, nesta fase fez-me sentido acrescentar duas tartaruguinhas à tatuagem! Um dia tinha que as fazer, e ontem foi o dia!  

Paralelamente a tudo isto, já tinha ideia que gostava de tatuar uma frase. Uma coisa mais pequena e discreta, mas com significado. Nunca tinha decidido como ou onde, mas já tinha pensado nisso. E se o pensei, melhor o fiz, e resolvi fazer tudo ontem, aproveitando a deslocação para fazer as tartaruguinhas, fiz também a frase que queria! Uma frase que me diz muito, uma frase que digo muito, uma frase que se deve tornar uma forma de vida! 

Tenho 4 tatuagens! A das costas, a do pescoço, a do pé, que pode contar como três, e a do braço. Gosto de todas! Naturalmente a que menos gosto é a mais antiga, porque hoje não a faria assim. Gosto dela na mesma, mas gosto menos. Um dia, ainda vou voltar a mexer-lhe. Quero alterá-la! Tenho algumas ideias de como, mas ainda nunca me debrucei devidamente sobre o assunto. Um dia faço isso, mas para já, fico assim!

3 Comments

  • Vania Pedro

    Sara adorei a história das tuas tatoos. E essas das tartarugas é linda 🙂 . Eu tenho 2 tbm e queria fazer mais , mas ainda amamentar. O meu baby tem quase 1 ano, sabes se é só qdo paramos de amamentar q podemos fazer ou pode ser antes? Bjs

  • Henriqueta Negrao

    São todas giras, mas de facto as tartarugas são um apetite!!! Eu tenho uma estrela do mar, grande, que representa ambas as minha avós, e vou completá-la em breve com umas coisas que ando ainda a magicar e que vão representar os meus três homens!

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