O que aprendi com o amor e o desamor, by Anita Silvestre

Não conheço a Anita à muito tempo, mas simpatizo mesmo com ela! Tem boa pinta, um sorriso cativante, um ar energético! Quando comecei a convidar pessoas para escreverem para esta rúbrica, lembrei-me dela, e convidei-a! Torceu o nariz nos primeiros minutos, mas depois lá pensou melhor e achou que podia fazer disto uma espécie de terapia. E fez! Adorei o que ela escreveu, e acho que à semelhança do que ela faz com o guarda roupa das clientes que aconselha através do seu projecto (que podem e devem conhecer aqui), nos deixa aqui uma série de dicas e conclusões que tirou do que viveu, que são muito realistas! Obrigada Anita! E sim! O amor não se procura, aparece quando (e de onde) menos esperamos!
 
“O que aprendi com o amor e o desamor

Quando a
Sara me fez o convite para participar na sua rubrica de histórias de amor, o
meu primeiro pensamento foi: ‘Oh crap!’. Em seguida, perguntei-lhe se teria que
ser uma história feliz. Pronto, por aqui já perceberem que a minha história não
é sobre o encontro do meu Príncipe encantado. Ainda não é essa. É mais a
história de como estou a encontrar o meu amor…próprio. Sim, parece conversa
cliché de miúda solteira, mas pronto, é o que é. E como sei que haverão por aí ainda
bastantes orgulhosas mulheres descomprometidas e não desesperadas – isso é
importante – acho que o que se segue até poderá ser útil. 😉

Por onde
começar? Talvez pelo fim. Sobre o que aprendi com as minhas relações. Long
story short: eu tive dois namoros longos, 5 anos cada um, consecutivos – 10
anos portanto, lá persistência não me falta. E foram relações felizes enquanto duraram,
na perspetiva do momento de então, pelo menos. Aprendi imenso, cresci também
muito até ao momento em que cresci ainda mais, no momento dos términos. Foram
os dois muito parecidos e dolorosos. Não foi bonito. Mas como se diz, é
justamente nas dificuldades e na mudança que mais aprendemos e florescemos, se
soubermos aproveitar essas dores da melhor forma. Em jeito de receita, aqui
segue, então, uma lista de dicas, resultado do que aprendi com o amor e o
desamor, o ‘casamento’ e a solteirice:

·        
Amor
e obsessão são duas coisas diferentes – o primeiro não é egoísta nem
manipulador. Afastem-se do segundo, pelo sim, pelo não;

·        
Ciúmes
não são prova de amor, são apenas prova de que ele é otário e controlador. Não
te sintas tentada a provar-lhe que pode confiar em ti – ele já deveria saber
isso se te ama tanto como diz. Demonstra que esse não é um comportamento que
toleres – afasta-te. Sim, ele vai chorar atrás de ti e mostrar que és única e
especial. Não tenhas pena, é apenas manipulação, põe-te a ti sempre em primeiro
lugar.

·        
Estar
com alguém que gosta muito de ti e que faria tudo por ti sabe bem e é muito
confortável. Mas convém que gostes da mesma forma, que estejas perdidamente
apaixonada. Só assim vale a pena. Se não é isso que sentes pela pessoa com quem
estás, não te acomodes, continua a procurar alguém por quem sintas borboletas
na barriga. No mínimo.

·        
Se
procuras saber que competências podes desenvolver que possam ser úteis num
relacionamento, eu recomendo aprender linguagem corporal. Ótimo para apanhar
homens cobardes e mentirosos. Ler os sinais de tanga dá imenso jeito para
diminuir o período de otárias em que nos instalamos.

·        
Melhorem
as vossas competências de casting – saibam o querem do príncipe encantado e não
achem que têm a capacidade de transformar um sapo num ser da realeza por magia.
Sapo é sapo forever. Se não souberes o que queres, qualquer coisa serve, por
isso, garante que sabes o que queres de uma relação.

·        
As
coisas mudam de um momento para o outro, num ápice. Está sempre preparada para
a mudança e não dá nada como garantido. Num dia podes ser o amor da vida de
alguém, no outro, ‘afinal é a loura estrábica do trabalho, desculpa lá, oh
mor!’ E isto é apenas exemplificativo, porque nunca és informada disto
diretamente por ele, mas claro, descobres pelo facebook.

·        
Na
sequência, foste traída, estás lixada, eu percebo. Mas PORAMORDEDEUS não te
ponhas a largar as tuas frustrações em jeito de imagens com citações que
expressem tudo aquilo que tu sentes no facebook, como se estivesses a mandar
mensagens ao traste. Ele não quer saber, assim como nenhum dos teus amigos
virtuais quer saber da tua dor de corno. Nem faz nada bem à tua imagem – preza
a tua dignidade acima de tudo!

·        
Os
nervos do trauma deixam-te em estado depressivo, sem fome. Emagreces 5 quilos e
comprovas que não há melhor dieta que desgostos amorosos. Sê esperta e
aproveita para manter o peso. Não recuperes tão rápido a alegria de viver e de
comer que os quilos voltam logo todos. Lembrar disto numa próxima desilusão.

·        
Estás
solteira. Já se passaram muitos anos, nem sabes como é que a coisa se processa
agora. A ansiedade bate. Aguenta-a a aproveita ao máximo o novo momento. Livra-te
de te lançares para os braços do primeiro badameco que te aparece à frente com
esperanças de amor eterno. Não corre bem e a probabilidade de dares de caras
com um traste como o anterior é de, deixa cá consultar as minhas cábulas
científicas…. 100%!

·        
Nunca
desvalorizes os amigos nem deixes de lhes dar atenção enquanto estás numa
relação. Quando te puxam o tapete, sem amigos, ficas basicamente na merda.
Preza-os. Aos verdadeiros. Eles estarão lá sempre para ti.

·        
Dedica-te
a ti. Agora tens todo o tempo e liberdade para saberes quem és, tu, como
indivíduo. Do que é que gostas. O que mais prazer te dá fazer. Descobre isso
fazendo e tendo novas experiências. Já não tens que levar com jogos da bola
todas as semanas, pensa positivo.

·        
Aproveita
a tua própria companhia, afinal não precisas de andar acompanhada para todo o
lado – não é isso que faz uma boa relação. É muito bom dar um passeio, ir ao
restaurante preferido ou ao cinema sozinha. Experimenta.

·        
Não
te metas em sites de encontros online!! Se lá foste parar por algum motivo,
significa que há a probabilidade de encontrares gente normal, mas os gajos
estranhos estão em maioria. Poupa o teu tempo. A menos que estejas aborrecida e
te apeteça rir à grande. Nesse caso, força! 😉

·        
Não
te feches. Não te tornes amarga. A desilusão dói mas não te deixes afetar por
ela. Aprende o que tens a aprender e mantém a esperança e fé na pessoas boas.
Elas existem.

·        
Mantém
também a fé no amor, mas naquele de verdade. Não o procures, que não vale a
pena. Faz aquilo de que gostas, sê tu, sê autêntica e ele há-de aparecer
eventualmente, quando menos se espera. Só quando estamos bem connosco é que
podemos estar bem com os outros.

·        
O
amor é central na vida, é o mote de quase toda a literatura e cinematografia,
mas se não se tem uma relação amorosa, não se é feliz? Claro que és! Encontra
felicidade no teu trabalho, no teu projeto – procura fazer aquilo de que
gostas. Acredita que dá um prazer e felicidade do caneco ser bem sucedida
nisso. E apoia-te, sempre, no amor da tua família e amigos.

·        
Conclusão
das conclusões: ama-te de forma incondicional. Trata-te bem. Valoriza-te.
Define sonhos e objetivos para a tua vida. Dá espaço apenas a quem também te
ame de forma incondicional, te trate bem e valorize. E com quem possas
partilhar sonhos e objetivos em comum. Menos do que isso não vale a pena. O que
não significa que não te possas divertir, sem pensar muito, e que estejas
aberta a novas experiências e a novos erros. Sim, eles vão acontecer. Mas
limpas as feridas, levantas-te e segues em frente! ;)”

Conheçam todas as histórias de
amor já publicadas:

* A Ana Luisa e o Miguel: aqui,
* O Poema da Sofia, aqui;
* A Carla e o Hugo, aqui;
* O amor do Jorge, aqui;
* A mulher da vida do Bruno, aqui;
* O Marcos e o João, aqui;
* A Filipa e o Marco, aqui;
* A história da Marta, aqui.
E não percam, a cada 6ª feira,
uma nova história de amor!

(E queridas leitoras, fiquem atentas, porque eu e a Anita, temos uma surpresa para vocês! Muito em breve!!!!)


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