Crescer

Escrevi este texto umas semanas antes do Daniel e da Carolina celebrarem os 5 anos. Houve um dia, em que por algum motivo, senti que estavam crescidos e fiquei a pensar nisso. Para eles, crescer é um desejo, a mim, só me apetece que fiquei bebés para sempre.
À medida que os meus filhos crescem tomo consciência de que num abrir e fechar de olhos deixarão de ser as crianças doces e meigas que são e chegarão à adolescência. 
Consigo facilmente ver o filme, a Carolina será uma menina impertinente e de nariz empinado que acha que sabe tudo da vida e que os pais existem apenas para a chatear e dificultar os planos que faz com as amigas. 
O Daniel vai ser o Puto cool da turma, de sorriso fácil e piadolas certeiras e bem metidas, que faz rir toda a gente incluindo as professoras. É o Puto que faz suspirar as miúdas mas a quem não liga grande coisa… afinal… nestas idades elas são todas parvas. 
A Carolina namorisca com o olhar (só o olhar, espero eu!) os miúdos mais giros da escola. Responde-me torto quando lhe pergunto coisas que não lhe apetece contar e amua quando não a deixo levar os seus planos para diante. Usa e abusa de uma expressão que hoje, aos 5 anos, já usa bastante:
Ohhhhh mãeeeeeeee
No fundo, no meu coração, tenho a esperança secreta que os meus filhos, por serem meus, não sejam adolescentes típicos. Vão ser miúdos responsáveis e aplicados, meigos e doces e sempre disponíveis para programas familiares aos fins de semana. Vão adorar a nossa companhia sempre e contar tudo o que se passa na vida deles. Só que não. Os meus filhos vão ser adolescentes normais. Vão mentir, reclamar, amuar, e muitas muitas vezes vão-me irritar. Principalmente por são meus. E porque eu sei, e pior, ainda me lembro bem, do que fiz e como fiz. 
Já dizia a minha mãe: ” O que tu sabes já a mim me esqueceu!” – provavelmente, também ela pensou isto tudo. Provavelmente muito mais comigo, a mais velha, a filha que nasceu quando ela tinha 20 anos, do que com os meus irmãos. Provavelmente também ela se lembrava de como tinha sido e muitas vezes calou uma discussão a relembrar as dela não há muitos anos atrás.
Nós mães, sonhamos em ter os filhos perfeitos. Mas a perfeição não existe. Temos filhos. Os nossos. Com todas as suas imperfeições, são para nós os mais perfeitos de todos.

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