SEPARAR GÉMEOS QUANDO ENTRAM PARA A ESCOLA. SIM OU NÃO?

Quando fomos matricular o Daniel e a Carolina na escola perguntaram-nos se os queríamos na mesma turma ou separados. Nunca sequer tínhamos pensado nisso porque no nosso caso a escolha era clara. A verdade é que pode ser uma das situações em que devemos ponderar. Cada caso é um caso e precisamos de perceber se vai ser benéfico ou prejudicial para eles. Afinal, devemos separar gémeos quando entram para a escola. Sim ou não?

Este artigo publicado no ano passado sobre este tema refere que apesar de existirem poucos estudos sobre a matéria, uma investigação da Goldsmiths, Universidade de Londres, indica que não está provado que separar os irmãos gémeos traga benefícios na sua formação escolar, quer se trate de gémeos verdadeiros ou falsos. Foi estudada uma amostra de mais de 9.000 pares de gémeos entre os sete e os 16 anos, e de um modo geral os investigadores concluíram que

“não há efeitos positivos ou negativos substanciais no desempenho académico, capacidade cognitiva e motivação de ambos” quer estejam juntos ou separados na escola.

Tal como em muitas outras situações desafiantes que os pais de gémeos enfrentam, aqui, o factor chave é a nossa capacidade de analisar os nossos filhos. Nada como a sensibilidade de quem os conhece melhor, para decidir se devemos separar gémeos quando entram para a escola.

Parece-me lógico que se houver uma grande dependência de um face ao outro, talvez seja positivo equacionar a separação. A decisão não deve ser unilateral, e os próprios devem manifestar a sua opinião sobre o assunto, uma vez que serão os principais visados. Isto não quer dizer que a decisão deles prevaleça, mas seja qual for o caso deve ser ouvida e devem ser explicados os pontos de ponderação que influenciam a decisão final. Se chegarem à conclusão que, correndo o risco de haver desafios extra ao longo dos anos escolares, seria mais prejudicial para eles estarem separados, nada como avançar com a decisão que vos deixar tranquilos e enfrentar os desafios um de cada vez!

Se, como é o nosso caso, ambos forem perfeitamente independentes e nenhum se destacar face ao outro enquanto gémeo dominante, não haverá, à partida, nenhum problema em mantê-los juntos. Foi com base nesta conclusão que tomámos a decisão, conscientes de que não se previam dificuldades de maior.

Já no final do segundo período do ano passado surgiu o primeiro desafio. Enfrentámos o inicio de uma fase de comparação em que um se sentiu inferior ao outro por constatar ter mais dificuldades em aprender a ler. A comparação entre irmãos é inevitável. Não seria por estarem em turmas diferentes que deixaria de existir, porém tem sido um trabalho continuado para que não aconteça a desmotivação de um face ao desempenho do outro. Sobre isso já falámos aqui em maior detalhe. Vale a pena ler ou reler e deixar a vossa opinião sobre as estratégias adoptar.

No mesmo estudo que já referenciei acima, podemos corroborar de forma ciêntifica a minha teoria. Yulia Kovas, professora de genética e psicologia da Goldsmiths e principal mentora do estudo, defendeu na BBC online que:

“não deve haver regras rígidas para separar as crianças, cabendo aos próprios, aos pais e professores” avaliar o que é melhor, tendo em conta cada caso. “Estes resultados sugerem que, em termos de desempenho acadêmico, capacidade cognitiva e motivação, não devem existir regras fixas no sentido de a escola e os pais separarem os filhos durante o processo educativo”

No pedido que fiz nas redes sociais para que partilhassem as vossas experiências sobre se devemos separar gémeos quando entram para escola, consegui perceber claramente que a sensibilidade que os pais têm para a tomada de decisão deve ser sempre o que prevalece. Vejam alguns exemplos de mães de gémeos, de gémeos e de uma educadora.

De uma mãe de dois filhos com 18 meses de diferença

“Não tenho gémeos, mas têm 18 meses de diferença. Estamos a ponderar não os colocar na mesma escola, precisamente pelo espaço que sentimos que cada um deles precisa – especialmente ela, dada a força que ele exerce sobre ela.. cada caso é um caso e é super importante olhar para cada um dos filhos como indivíduo.”

De várias mães de gémeos

“Cá por casa fizeram o berçário, cresce e pré sempre juntas… e aquando da matricula, eu(!) levantei a questão… em casa, não são o mesmo que na escola. A Educadora não via necessidade, porque em contexto escolar são independentes e até têm amigos diferentes… uma delas acabou por confessar que não queria ficar com a mana, sem saber porque. A pediatra achou que era uma tentativa de ganhar o Seu espaço. Falámos, conversamos sozinhos e em família… combinamos, TODOS, que ficavam juntas, mas separadas em sala de aula. Vamos avaliando e no fim do ano decidimos outra vez se for preciso…”

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“Sempre juntos, mas como refere, cada caso é único. Nada dependentes um do outro, cada um tem os seus amigos, poucas brincadeiras em comum. E a nível logístico muito mais fácil 😉”

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“Juntos na escola, juntos no quarto, falo por experiência própria, gémea de irmão, quando meus pais nos separam de quarto aos 6 anos, por eu ser menina e deveria ter um quarto para mim, foi das nossas piores experiências, que só descansamos quando voltamos a ter um quarto único, muito mais tarde, a meu ver tarde demais ❤️❤️”

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Os meus, com quase 12 anos, sempre estiveram juntos. Quando, da entrada para o 5°ano, lhes perguntei se queriam ficar em turmas diferentes, foi uma choradeira e disseram logo que não. Contudo são gémeos que só precisam sentir a presença um do outro, de resto não se ligam nenhuma durante as aulas. Não se sentam ao lado um do outro e não fazem trabalhos de grupo (dentro da sala) juntos. Até hoje, já no 6°ano, tem corrido muito bem e não existem queixas por parte dos professores. Estão juntos desde a barriga da mãe e nunca se separaram ❤️🧒🧒❤️

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As minhas estão separadas desde os três anos. Agora têm sete, estão no segundo ano. Foi uma decisão muito difícil para nós, mas muito boa para elas. Não tenho dúvidas de que estão melhor separadas.

De uma educadora de infância

Sou educadora de infância e a minha experiência diz-me que é melhor separar… já tive os dois casos, separados e juntos… e depende muito dos irmãos… no entanto considero que separados alargam horizontes nas amizades e socialização, nas defesas, na auto-estima… há sempre pequenas coisas que entre eles se passam… e devem fortalecer a personalidade na escola cada um por si…

De gémeos na 1.ª pessoa

Eu sou gêmea. O pior que me poderiam ter feito era separar. Mas dependerá de cada um creio…

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Sou gémea, e durante o 1.ciclo estivemos juntos na mesma sala. No 5° ano fomos separados. Havia uma grande dependência, e vejo agora, com esta idade, que foi melhor assim. Penso que depende da relação que existe entre irmãos! Partilho da vossa opinião!

Face a tudo o que aqui abordei, parece-me claro que não há uma receita, um caminho certo ou errado para tomar a decisão sobre se devemos separar gémeos quando entram para a escola. Há sim que recorrer como em muitos outros casos ao longo do nosso percurso como pais, à sensibilidade e ao bom senso!

Em jeito de conclusão, deixo-vos a referência para uma dissertação de mestrado muito interessante, que encontrei nas minhas pesquisas online sobre o tema e que descarreguei para ler em pormenor. Há realmente ainda muito para estudar sobre gémeos! Podem ler ou descarregar aqui.

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